Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Momento Pipoca - Trama Internacional

De volta ao lar e conforme prometido de volta ao blog... cheguei há uma semana, sem gripe A, sem problemas aéreos e sem maiores percalços.... e além de uma vontade gigante de comer um churrasco eu voltei com uma vontade grande de ir ao cinema.

E entre A Era do Gelo, Transformers, Mulher Invisível made in Piracicaba... encontrei em cartaz o filme Trama Internacional, filme que eu tinha a lembrança de ter lido algo sobre ele no Vista do Observador e que também tinha visto muitas e muitas vezes o trailer no cinema...

O filme é bacana, boa história, bela atuação do Clive Owen, translúcida participação da Naomi Watts e uma direção tri competente do Tom Tykwer (o mesmo de Corra Lola, Corra)... mas o mais legal do filme é que não tem arquitetura ruim nele.

Ele começa em Berlim de fronte a gigantesca Hauptbahnhof (será que teremos obras como essa para a Copa?) e termina em Istambul sobre os telhados do Grande Bazar... e ainda estão no filme um prédio da Autostadt (no filme é a sede do maligno IBBC), o belíssimo Phaeno Science Center da não tão bela Zaha Hadid, o edifício Pirelli do Gio Ponti e por fim o Guggenheim de Nova Iorque....

A cena do tiroteio no Guggenheim é tão bem feita que o Gabriel chegou a pensar que a reforma que estavam fazendo na clarabóia tinha sido devido ao filme... mas não... e também não foi computação gráfica aquela destruição da clarabóia e os diversos tiros nos peitoris da rampa... os caras reproduziram em 16 semanas o atrium do velho Frank em um galpão em Berlim e ali filmaram a cena que por si já vale o filme. De Guggeinheim real só a cena da entrada e a cena da saída, todo o tiroteio se dá no set.

Para quem quiser mais informações:

E como esse não é um blog de cinema, o próximo post vai ser arquitetônico e fruto da viagem... mas o conteúdo vocês podem decidir, Niemeyer (em boa fase) ou Zaha Hadid?

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Arquitetura tamanho A4

como diria Herbert Vianna... "a nova velha forma do desastre".
Com a tarefa de buscar um material na secretaria do curso de arquitetura e urbanismo da UnB, como estou fazendo uma especialização lá no campus mesmo, aproveitei o horário após o almoço.

Cheguei um pouco adiantado, a secretaria abria às 14h, meu G-Shock marcava 13h30. Aproveitei para circular um pouco pelo ICC, o Instituto Central de Ciências, popularmente conhecido como "minhocão", pelos seus singelos 700m de extensão de uma ponta a outra. O campus da UnB é um lugar bem agradável.

Próximo a uma dessas pontas, se localiza a arquitetura. Estive lá pela primeira vez em 1994, quando ainda nem sonhava em morar em Brasília, no ENEA. Entre palestras, cervejas, festas e jogos do Brasil na copa do mundo exibidos num telão, lembro de ter participado da oficina de "maquetes processuais", ministrada pelo Fernando Lara (vejam aqui seu ótimo blog, "Parede de Meia"). Foi muito interessante, já que até então (2o. semestre do curso na UFRGS) haviam me vendido o peixe de que a maquete era para apresentação, porém aprendi ali que ela ajuda, e muito, na concepção do projeto, prática que adotei durante toda a faculdade e, algumas vezes, na vida profissional.

Voltando à FAU-UnB: Bateu aquela nostalgia dos tempos de faculdade. Pessoal animado, todas as tribos representadas, dos mauricinhos aos bicho-grilos (um garoto dedilhava a fatídica "Stairway to Heaven" num violão surrado, próximo ao centro acadêmico)... Mas, de cara, o primeiro sinal de que alguma coisa estava errada: Ninguém carregava canudos (!). Será que eu estava no lugar certo? continuei a vagar pelo vão central do minhocão, observando as salas até que resolvi entrar num ateliê que estava aberto.

Lá dentro, mesas e mais mesas de desenho... nenhum projeto pelas paredes (aliás, nem lá e nem em lugar nenhum)... e alguns alunos da arquitetura trabalhando compenetrados em seus... laptops! alguns discutiam entre si seus projetos... impressos em folhas A4! Argh!

Cadê o papel manteiga? o grafite 2b? o lado da mão sujo de grafite? lápis de cor, então... nem pensar. Se alguém perguntar pela aquarela e pelo canson... Esses tempos, parei pra pensar que apresentei meu último trabalho acadêmico totalmente desenhado à mão em 1997. Foi o P3, um conjunto de casas. Acompanhava uma maquete, modéstia à parte muito bem executada em papel escuro que se assemelhava a um eucatex, só que mais mole, e color plus preto para os vidros, com os caixilhos cirurgicamente desenhados com lápis de cor branco. Porém, em TODOS os projetos finalizados no computador, fiz questão de inserer desenhos a mão, normalmente feitos em papel manteiga e cuidadosamente escaneados para inserir nas pranchas do AutoCAD.

Então... isso tudo sumiu em 12 anos?

É difícil escrever nesse tom de desabafo para um cara que, por incrível que pareça, é um entusiasta da informática e da tecnologia. Eu mesmo me beneficiei muito dela, na faculdade e depois dela. Porém, nunca me afastei do desenho, que foi o que me levou à arquitetura.

Arquitetura sem rabisco não existe, mas infelizmente, parece que ele está sendo deixado de lado, em nome da "produtividade", ou coisa que o valha. Acho totalmente pertinente para o profissional que, com o projeto valendo cada vez menos, precisa se desdobrar para... humm... "maximizar" o seu tempo... além do mais, a computação gráfica evoluiu horrores, e é incrível o que se faz hoje em matéria de apresentações, realidade virtual e outras traquitanas. Porém, na academia é outra história. Haverá quem me chame de romântico, saudosista, quiçá retrógrado... porém, não abro mão: Pra aprender a projetar, tem que desenhar. E desenhar muito. De preferência, a grafite.

Sei que isso não acontece só na UnB. Sei, mas confesso que não quero acreditar, mas quando a gente vê a coisa "in loco", se desanima... É uma pena, mas parece que estamos assistindo à morte do desenho nas escolas de arquitetura. Minha esperança são os professores "old school". Porém, quando eles se aposentarem... aí sim, tudo estará perdido e estaremos, definitivamente, deixando de formar arquitetos para formar ótimos "cadistas".

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Não... eu não morri


Sei que não não deveria ter passado tanto tempo sem escrever, peço desculpas e não vou botar a culpa na falta tempo ou no trabalho (mesmo que este às vezes seja tocado em um ritmo nada saudável)... acho que inconscientemente deixei de escrever para refletir um pouco sobre os rumos que tenho dado para as coisas... e antes que alguém pense que passei por profundas experiências com xamãs enquanto escutava Doors, eu já digo que não.... foi só um tempo para pensar nas coisas... me afastar um pouco para ver o mundo por outro ângulo, sair um pouco de dentro da caixa....

Nessa de sair de dentro da caixa eu já trilhei alguns caminhos, quando guri eu pensava que o mundo era muito complicado para não fazer nada à respeito e na pouca visão dos meus 16 anos eu tentei ser médico... depois de um verão de frustrados vestibulares São Corbusier me iluminou e eu comecei a estudar arquitetura na PUC.RS e descobri que ao invés de ser responsável pela vida de uma pessoa de cada vez eu poderia, como arquiteto, ser responsável e mudar a vida de centenas de pessoas ao mesmo tempo.... e assim romanticamente fui tocando a faculdade...

Recém formado e com o Opera Prima sob o braço eu voltei a Caxias do Sul, minha cidade natal, e comecei a trabalhar para ver se conseguia tocar minha música sozinho.... e depois de diversas experiências profissionais eu me dei conta que faltava algo... não tinha tanta graça quanto parecia que teria... então há mais ou menos um ano eu quebrei o meu cofrinho e comecei a construção de um pequeno conjunto de casas geminadas com o objetivo de vende-las (sim, digam que passei para o lado negro da força).
Fiz tudo: escolhi o terreno, desenvolvi um conceito, fiz o projeto arquitetônico, fiz parte dos projetos complementares, contratei e gerenciei a mão de obra, comprei material de construção, produzi o material de venda, atendi in loco os interessados, faço as vendas e bobeia vou ajudar os compradores com a mudança.... fiz questão de participar diretamente de todo o processo e não abri mão, mesmo reduzindo a margem de lucro, de contribuir com a minha arquitetura para tornar a vida das pessoas um pouco melhor e a cidade mais bonita... uma arquitetura distinta da mesmice que vemos por aí, um pouco mais abstrata em alguns aspectos, mas que confesso ainda achar um pouco tímida, creio que o próximo conjunto deva ter um grau de maturidade e de acerto maior que este.

Ainda assim fiquei tri satisfeito com o resultado, uma obra para classe média com qualidade superior e soluções construtivas e de projeto que raramente são encontradas em imóveis deste valor como por exemplo o uso de clarabóias, a ventilação cruzada, o reaproveitamento dos entulhos, uso de madeira certificada e/ou de reflorestamento...
Buenas, feito o mea culpa, explicada a inexplicável ausência e publicado esse longo post sobre a minha ultima cria... fica o meu até logo, sexta eu embarco novamente rumo ao velho mundo e prometo trazer um monte de figurinhas novas pra vocês... se tudo der certo vou visitar alguns clássicos que ainda não tive oportunidade como a vila Savoye, a casa Rietveld, a vila Tugendhat, a sede do Partido Comunista Francês e outras empoeiradas obras.... além de visitar a obra de alguns arquitetos/escritórios interessantes como VMX, Shigeru Ban, Koolhaas, MVRDV, Gehry, Zaha, Miralles... aguardem e torçam para a gripe do porco não me pegar no caminho...

Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Pé na estrada... para onde ir? quanto tempo ficar?

Passando frio em Delft...

Finalmente dando início a séria-série.... depois de avisar para vocês que essa não é minha praia e que há vários sites por aí bem mais interessantes para pegar dicas de viagem eu me sinto a vontade para compartilhar com vocês minhas experiências de agente de viagem independente.


Buenas, o primeiro passo é o mais complicado e mais pessoal de todos... pra onde ir??? Qual destino tomar??? Quais cidades valem a pena e quais não valem??? Coisas tri pessoais e tri complicadas de serem resolvidas... mas assim como quando começamos um projeto arquitetônico uma das primeiras coisas a serem vistas e analisadas são os condicionantes de projeto, pra viajar vale a mesma coisa... dando uma geral nos condicionantes facilita bastante, não resolve... mas facilita.


Os dois principais condicionantes são grana e tempo.... bah, esses dois são mortais... não adianta ter os pilas e não ter tempo para aproveita-los e muito menos adianta ter tempo e não ter o suficiente pra meter a cara no mundo... para Europa acho que dá para pensar em gastar entre 40 e 70 Euros por dia, fora a passagem Brasil - Europa... mas incluindo os deslocamentos internos... sim, sei que de 40 a 70 a variação é grande, mas há fatores muito variados para determinar isso... desde o quanto tu gosta de caminhar (metrô não é barato...) até a quantidade de lugares que tu queres visitar (um ingresso da Madame Touseau saí 25 libras...), conheço gente que foi à Paris e não subiu na torre Eiffel porque achou caro... minha humilde opinião, economiza na comida, mas não economiza nos ingressos (e na cerveja)... pô, a viagem é muito longa pra não aproveitar ela ao máximo.


Explicação rápida sobre a grana, depois faço um post mais detalhado sobre ela.... é importante lembrar que estou falando de viajar de maneira econômica... hospedagem em hostel, que além de mais barato é bem mais divertido... nada de grandes restaurantes e muita pernada... se pretende pegar taxi (!) ou ficar em hotel bacana daí é uma grana bem mais violenta...


Beleza já viu o orçamento e o tempo que dá pra tirar de férias e por exemplo a viagem vai ser de três semanas... e para onde ir em três semanas? Quais as cidades que valem mais a pena? Seguinte... na Europa tudo é relativamente perto, pra ter idéia dá pra tomar café da manhã em Londres, almoçar em Paris, fazer um lanche em Bruxelas e ainda fazer festa em Amsterdam... tudo em um mesmo dia.... mas isso não quer dizer que valha a pena sair correndo desesperado para conhecer o máximo de lugares possíveis... 3 noites em cada cidade grande que tu ainda não conhece é um tempo mínimo... 2 noites nas cidades menores, dependendo o caso até uma noite resolve... particularmente para 20 dias eu não recomendaria mais do que 4 cidades sede. Até porque os deslocamentos tomam muito tempo.


Mas aí tu me pergunta “Luciano, nunca fui pra Europa... vale mais a pena visitar Londres ou Paris?”... Tchê, se tu nunca fostes tudo vale a pena!!! Mas é claro que as grandes cidades tendem a ser mais interessantes para um turista de primeira viagem, embora as pequenas cidades guardam boas surpresas... fui para Delft tri despretensioso e valeu muito a pena, cidadezinha sensacional... mas que não precisa de mais do que um dia para conhece-la e nem precisa dormir lá, pega um trem em Amsterdam faz um bate-volta... por isso que eu falo em cidades sede, como tudo é relativamente perto há vários lugares que vale mais a pena fazer um passeio de um dia do que sair do ho(s)tel que está e ir para outro em outra cidade próxima.


Três dicas rápidas e finais para a definição do roteiro:


• Pesquise e estude muitos antes de defini-lo, viajar sem estudar e pesquisar é perda de tempo... na pesquisa tu vais descobrir quais os lugares que tu vais gostar mais.


• Se deixe levar pela emoção, viajar é para ser um prazer e não uma obrigação... se o teu sonho é conhecer a Bratislava, vai nessa... não dê ouvidos àqueles que dirão “bah, tu vais deixar de ir para Londres para ir para o fim do mundo...”, dane-se... a viagem é tua e não dos outros.


• E por último, sempre tenha em mente que não há uma ultima ida ao velho mundo... sempre haverá a oportunidade para voltar e conhecer outros lugares ou conhecer melhor aqueles lugares que tu gostastes... então pensa em ter mais qualidade do que quantidade.


Buenas, o post ficou longo (além de confuso e meia boca)... mas essa era a parte mais subjetiva e difícil, os próximos serão mais diretos que a arquitetura do PMR... e óbvio que será um prazer tirar as dúvidas e ajudar no que for preciso, é só mandar um email ou perguntar direto nos comentários.... críticas também são tri bem vindas.

Terça-feira, 24 de Março de 2009

Pequeno dicionário da construção civil...

Já faz um bocado de tempo que frequento os canteiros de obra... sempre gostei de sujar os pés por lá e posso dizer para vocês que a construção em si é uma barbada de ser conduzida... o complicado é entender o que estão te falando.... por isso sugiro começarmos o Pequeno Dicionário da Construção Civil... a medida que for me lembrando novos termos ou for aprendendo outros eu vou inserindo eles aqui, assim como pretendo colocar as contribuições dos amigos...


Coltrina, em português cortina... vale tanto para as contenções quanto para as de bloqueio solar. Aplicações: "Dôtor, as ferragens da coltrina sul já estão prontas"... Também facilmente utilizada no plural mesmo sem a necessidade da letra S: "Ô seu Luciano, quanto espaço deixo no gesso pra colocar as coltrina".


Plumo, em português prumo... coisa raramente encontrada nas obras brasileiras... Aplicação: "olha, esses 3 centímetros que fugiram do plumo a gente corrige no rebuque*"


Rebuque, em português reboco... é algo sensacional, 1001 utilidades, além da serventia original de revestimento e proteção de superfícies ainda corrige o prumo e preenche as flestas*....


Flesta, da mesma família etimológica de Plumo e de Empleitero... palavras que provam sem dúvida nenhuma que pelo menos Cebolinha o pessoal da obra anda lendo... em português, fresta.


E pra finalizar por hoje....a pergunta que vale um milhão, quem sabe o que é SARAPICO? Hein?


P.S.: Sei que é um post politicamente incorreto, mas é apenas uma brincadeira baseada em fatos reais e por mim vivenciados e de forma alguma a intenção é ridicularizar a nossa mão de obra e nem dizer que todo pessoal de obra é ignorante e/ou analfabeto... longe disso.

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Introduzindo a nova séria-série Pé na Estrada

Tourist guy dentro de uma baleia gaudiniana

Não satisfeito em escrever coisas pseudo-sérias sobre arquitetura agora eu vou me arriscar a escrever sobre turismo... perigoso isso, mas foram vocês que pediram... agora aguentem.


Eu tomei o gosto por viajar ainda guri novo, viajando com os meus pais nas férias de meio de ano e na época de natal e ano novo... porém quase sempre viajar com os velhos era sinônimo de pacotes e excursões.... e não que não fosse divertido, mas não era o ideal.


Depois que entrei na faculdade começaram as viagens à encontros de arquitetura, os ENEAs, ELEAs... sem contar as viagens de estudo (as de verdade)... e por aí eu fui conhecendo o Brasil e parte da América do Sul e depois que se toma o gosto por colocar o pé no mundo e conhecer novos lugares, novas culturas, novas pessoas... nunca é demais, ainda mais para um arquiteto que teoricamente tem como locais de trabalho as cidades, a quantidade de fotos de prédio que eu tenho são infinitamente maiores que as fotos nas quais eu apareço...


E foram nessas viagens do tempo da faculdade que eu percebi que viajar sem excursão ou pacote turístico é muito mais minha cara, o que veio muito a calhar porque como arquiteto-biscateiro, que eu sou, é bem mais em conta viajar sozinho do que comprar um pacote... e é nessa de viajar sozinho por aí que eu vou dar umas dicas interessantes para quem tem a intenção de seguir nesse caminho... vou usar como base a Europa, mas muita coisa vale para América do Sul... e provavelmente valha também para a terra do Obama, para lá eu só fui (até agora) com a família então não sei como é mochilar por lá.


Na séria-série pé na estrada vou tentar falar de roteiro, passagem aérea brasil-europa, transportes dentro da europa, hospedagem e onde encontrar informações turísticas-arquitetônicas... isso se vocês aguentarem mais do que um post....

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Salvando um Venturi

Row, row, row your boat, gently down the stream...

Haverá quem diga que ele não merece. Críticos ácidos dirão: "what a waste of time and money!" Pessoalmente, reconheço o valor da obra e posso dizer que tive a minha fase... um dos meus projetos mais queridos do tempo da faculdade (o último desenhado 100% a mão, diga-se de passagem), um condomínio de casas, tinha inspiração claramente "venturiana". Sem entrar no mérito, a história não deixa de ser interessante e comovente: Uma casa projetada por Robert Venturi na década de 60 estava prestes a ser demolida pelo novo proprietário da área. Engenhosamente, a casa foi posta à venda para alguém que se dispusesse a mudá-la de lugar. Isso mesmo.

E não é que interessados apareceram? Um casal (que mora em outra casa projetada por Venturi) bancou a complexa operação de "transplante" da casa, cujo custo estaria na casa dos seis dígitos, de sua localização original em New Jersey, para seu novo... humm... lar, na costa norte de Long Island.

A movimentação foi acompanhada por uma multidão de curiosos, arquitetos, estudantes, os nervosos novos proprietários e um entusiasmado casal: Robert Venturi (do alto dos seus já 83 anos) e a companheira "full-time" (casa e escritório) de loga data, Denise Scott-Brown.

Veja a matéria completa do New York Times aqui.

E tenho dito: Feliz do arquiteto cuja obra é merecedora de tamanho esforço.

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Pé na estrada...


Durante algum tempo da vida de estudante eu pensei em morar fora do Brasil. Aproveitar a facilidade de ter cidadania européia e fazer o caminho inverso dos meus bisavós... Um belo sonho de estudante, ser arquiteto no velho mundo... na época pouca coisa podia parecer melhor.

Porém um dia o meu amigo e professor José Carlos Marques, o Zé, me provocou perguntando quanto tempo eu aguentaria fazendo trabalhos secundários ou sendo um desenhista de luxo em algum escritório europeu... quanto tempo eu aguentaria tocando a música dos outros sem poder tocar a minha própria música? E ele foi mais além, me perguntou se eu achava que realmente vivendo e trabalhando na Europa, tendo que competir com as contas, veria a vida européia da mesma forma que um turista que vai lá para passar alguns dias com a alma leve...

Refiz meus planos... depois de formado abri meu pequeno escritório para poder tocar minha música... para poder fazer minhas experiências e ir aprendendo devagarinho a fazer Arquitetura...

Não sei se optei pelo melhor caminho, mas sei que sempre que dá para tirar uns dias eu dou um jeito de colocar o pé na estrada... e isso é que vou voltar a fazer em junho, mais uma pequena volta pelo velho mundo...

Obviamente, quando voltar, vou seguir com os "blocos de viagem" mostrando parte da boa arquitetura que vou ver por lá, mas pensei em nos próximos dias colocar umas dicas de preparação de viagem aqui no blog, o que vocês acham? Se aprovarem a idéia eu começo uma nova séria-série... se acharem que o blog é de arquitetura não de turismo, seguimos o baile do jeito que está... e em julho aparecem as novidades.

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Será que esse Niemeyer combina com as minhas cortinas?


Certo que essa hora tem alguma madame telefonando para o seu decorador de plantão e perguntando se uma gravura do Niemeyer combina com as cortinas, com o puff e com o ar moderno que ela tem visto na novela das 8.

E isso tem um motivo, dia 24 deste mês vai ser leiloada uma serigrafia do bom velhinho com lance inicial de R$ 2.500,00... uma mixaria se comparado com o lote de aquarelas da Lina que foi leiloado em 2007 com lance inicial de R$ 30.000,00 .

Acho que é um bom investimento, a natureza deve colaborar rapidamente com a valorização da obra...

Mais informações sobre o leilão:

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Desenhar é preciso, viver...

Algumas pessoas tem a dúvida se é realmente necessário saber desenhar bem para estudar arquitetura ou para ser um bom arquiteto.

Quem acompanha o blog já sabe a minha opinião, o desenho é uma ferramenta fundamental para o arquiteto, porém creio que é mais importante saber se expressar através dele de maneira ágil e correta do que fazer desenhos espetaculares. Ser um bom desenhista não é sinônimo de ser um bom projetista (e isso não é desculpa por eu ser um péssimo -porém esforçado- desenhista), então por mim já fica respondido que NÃO, não é necessário saber desenhar bem para ser um bom arquiteto ou para estudar arquitetura... o que não significa que ter essa habilidade não seja ótimo para exercer a profissão e muito menos significa que eu não seja um baita fã de quem sabe desenhar bem.

Não só sou fã de quem sabe desenhar bem como também tenho uma enorme inveja de quem tem habilidade para fazer desenhos de observação. Sempre que vou viajar penso em comprar um bloquinho A5 para fazer alguns rabiscos e anotações de viagem e nunca compro... talvez por saber que os desenhos vão ficar uma droga... talvez por ser preguiçoso mesmo...

Sobre esse tipo de desenho de observação que trata o blog Urban Sketchers, uma rede de artistas de todo mundo que foi iniciada pelo ilustrador Gabi Campanario em 2007... rede que já conta com a colaboração de dois talentosos brasileiros, João Pinheiro e Juliana Russo... e quem sabe alguns amigos blogueiros não passam a fazer parte da rede também? Talvez seja um lugar legal para o Fernando divulgar seu projeto 365 special days... ou para o Gabriel deixar de ser encolhido e mostrar para o mundo que ele tem jeito pra coisa...

Não deixem de visitar o blog... é mesmo de cair o queixo.


P.S.: O desenho que ilustra o post é de autoria do arquiteto belga Gérard Michel... e lembrei que alguns colegas arquitetos gostam tanto de croquizar pelos rincões do mundo que até colocam alguns croquis nos seus sites, como o Sérgio Marques do MooMAA. Se souberem de mais sites de arquitetos que tem os seus croquis publicados, mandem a dica...